A
capoeira é uma manifestação popular que se faz presente através da música, ritmo, canto, instrumento, expressão corporal e criatividade de movimentos.
Quanto à origem, foi uma invenção
dos negros africanos no período de colonização do Brasil. E que por muitos anos foi utilizada como meio de defesa pessoa contra
a força opressora (colonizadores).
O projeto Capoeira NACPC foi criado com o intuito de utilizar a capoeira como
complemento no atendimento às
crianças com Paralisia Cerebral. Considerando que a Paralisia Cerebral é uma condição de ser e que não tem cura, nossas crianças precisariam de atividades estimulantes e facilitadoras de funcionalidade para
realizar as tarefas do cotidiano.
Sendo a capoeira uma manifestação
multifacetada, muito praticada em toda a cidade, que engloba, por conseguinte
em uma só atividade, elementos variados que não se encontram juntos em outro tipo de manifestação. A capoeira foi a atividade escolhida por trabalhar a sensibilidade, o intelecto
e a afetividade através do mais importante referencial de vida do ser humano, o seu corpo. Optou-se
então em criar um pequeno grupo com as crianças que tinham maior funcionalidade e menor comprometimento motor.
Ocorreu que no decorrer do projeto o que se evidenciado foi o fascínio
de quase todas as crianças em participar da forma que elas podiam, independentemente do grau de comprometimento
motor. O que se permitiu uma análise sobre dimensões também intangíveis ao físico propriamente dito, como a memória cultural, a ancestralidade, a ritualidade e a temporalidade, que são categorias importantes para compreensão das relações de Educação presentes no universo humano.
Dessa forma foi ampliando-se a quantidade de crianças
atendidas pois observava-se que os movimentos influenciavam no desenvolvimento
motor das crianças com Paralisia cerebral, modulando o tônus muscular, melhorando diretamente o equilíbrio estático e dinâmico e coordenação motora, uma vez que a capoeira sugere movimentos que alternam alongamento,
contração, relaxamento e força muscular , além de ativar os sistemas de proteção corporais, auxiliando na prevenção de quedas e diminuindo os movimentos hipercinéticos e espásticos comuns na Paralisia Cerebral.
Outro aspecto se caracteriza nos trabalhos de integração,
atenção e concentração, naturalmente exigidos na participação de uma roda de capoeira, o que auxilia a permanência neste estado de atenção em outras atividades da vida diária, favorecendo assim as diversas aprendizagens da criança.
Portanto, o nosso maior objetivo é possibilitar
a inclusão social dessas crianças através da capoeira. Nota-se que a atividade se tornou primordial para a sua saúde, para o resgate da sua auto-estima e para a garantia dos seus direitos como
cidadãos. Este objetivo se tem alcançado com louvor, já que nossas crianças estão nas ruas se apresentando e mostrando que é possível viver feliz com deficiências.
Muitos resultados já foram alcançados
nestes 03 anos de efetivação do projeto como, por exemplo:
• Crianças que não
possuíam nenhuma interação com a sociedade, através da capoeira, tiveram a oportunidade de mudar esta situação e hoje interagem normalmente com outros indivíduos, com deficiência ou não.
• Crianças com dificuldade de equilibrar-se
em algumas posturas, de controlar seus movimentos e realizá-los de forma coordenada, após algumas aulas obtiveram resultados imediatos que refletem diretamente no tocante
de uma melhor qualidade de vida.
Sabemos que ainda há muito trabalho pela frente
até alcançar nossos ideais na sua totalidade. A capoeira, infelizmente, não é a solução da Paralisia Cerebral, mas é um verdadeiro coadjuvante neste árduo e longo caminho para a tão esperada autonomia.
Quando se é considerada a hipótese
de que “o corpo é uma totalidade sistêmica, integrado por todas as entidades que nomeamos e hierarquizamos e que não é possível compreender a condição humana a partir de reducionismos”, busca-se a Totalidade; crianças aparentemente apresentando desordens múltiplas, conseguem realizar uma atividade complexa e que exige organização coletiva: a Capoeira.
Então, caminhamos na esperança
de buscar cada vez mais lucidez para fundir “o sensível e o inteligível, o fazer e o compreender, a natureza e o espírito” e promover qualidade de vida para estes meninos e meninas, PEQUENOS POSSUIDORES
DA VIDA. Esta é a tradução do nome, em idioma Iorubá, criado, carinhosamente, pelo Professor do Grupo de Capoeira NACPC. O nome do
Grupo é KEKERÊ - ALAYÊ.
Projetos Desenvolvidos /Ações que o Grupo de Capoeira KEKERÊ-ALAYÊ NACPC já participou:
• Participação na II Jornada
de Educação e Saúde na Paralisia Cerebral, promovida pelo NACPC em 2005.
• Participação nos Jogos
Estudantis Municipais (2006 e 2007).
• Participação na III Jornada
de Educação e Saúde na Paralisia Cerebral, promovida pelo NACPC em 2007.
• Participação na I Caminhada
em Campanha do Estatuto da Criança e do Adolescente; organizada pelo projeto Ágata Esmeralda; ano 2007.
• Participação na IX Feira
da Arte, Cultura e Educação, organizada pelo projeto Ágata Esmeralda ; ano 2007.
• Participou no I simpósio
de educação espacial organizado pela CAEE( Consultoria e Acessoria em Educação Especial ); ano 2008.
• Realização do I Batizado
de Capoeira da Inclusão, em novembro de 2007.