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No começo, era o nada ...
Segundo a mitologia iorubá, no
início dos tempos havia dois mundos: Orum, espaço sagrado dos orixás, e Aiyê,
que seria dos homens, feito apenas de
caos e água.
Por ordem de Olorum, o deus supremo, o orixá Oduduá veio à Terra trazendo
uma cabaça com ingredientes especiais, entre eles a terra escura que
jogaria sobre o oceano para garantir morada e sustento aos homens...
Para promover a releitura da História do mundo africano, sua cultura
e os reflexos sobre a vida dos afro-brasileiros em geral, rompendo
com o modelo vigente na sociedade brasileira, garantindo a cidadania
e a igualdade racial, a Lei em si não basta, é preciso que modifiquemos
o ensino-aprendizagem para que tenhamos um resultado eficaz, valorizando
conhecimentos dessa cultura fazendo acontecer mudanças necessárias.
Por isso, a Escola Fernando Montanha Pondé/NACPC, escolheu como
eixo norteador para o seu projeto maior do ano de 2010 o tema “Conceitos
valores e amor. Contos e Lendas da Mãe África: Quando o Mítico Encontra
o Real”.
Aprendemos a História dos outros, ou parte dela, no entanto a cultura
universal inclui feitos Afros de grande importância, entretanto, estes
são desconhecidos ou desprezados pela educação brasileira. Uma sociedade
democrática e justa, inclui todos os setores da população, não admitindo
a existência de distorções, diferenças ou dominação.
O patrimônio cultural da população negra é composto de bens materiais
e imateriais, que são expressões dessas comunidades, nos mais diferentes
aspectos: objetos, costumes, canções, rituais, encontrados na religião,
na culinária, nos modos de tecer e de vestir. Uma retomada de vozes
que ficaram silenciadas por opressões históricas é fundamental e necessária
para uma compreensão democrática de educação. Desta feita, a cultura
e as práticas culturais são elaboradas cotidianamente, transformando
o conhecimento em experiência de aprendizagem, do mesmo modo que a
própria experiência vivida se transforma em conhecimento. Aprende-se
por meio da socialização.
Um dos princípios que devem orientar os temas e as atividades pedagógicas
em relação à questão do negro na escola é a desconstrução do preconceito
racial e a reafirmação de uma auto-estima positiva da população negra
e mestiça. Através dos contos e lendas da Mãe África ensinar e aprender
sobre e na diversidade, propor situações de aprendizagem que sejam
desafiadoras e que tragam novos conhecimentos, aprender a valorizar,
a reconhecer em nosso dia a dia elementos que, a todo momento, resgatam
nossa ancestralidade.
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