PROJETO “Agosto cultural”
 
 

A escola é o lugar de construção, não só do conhecimento, mas também da identidade, de valores, de afetos, enfim, é onde o ser humano, sem deixar de ser o que é se molda de acordo com sua sociedade. O Brasil, formado a partir das heranças culturais européias, indígenas e africanas, não contempla, de maneira equilibrada, essas três contribuições no sistema educacional. A pedagogia e os livros didáticos apresentam uma visão eurocêntrica, perpetuando ainda, muitos preconceitos.

Esse quadro começou a mudar a partir de 2003, com a aprovação da Lei 10.639/03, que tornava obrigatório o ensino de História e Cultura Africana e Afro-Brasileira nas escolas de Ensino Fundamental e Médio, substituída, em 2008, pela Lei 11.645/08, que inclui também o ensino de História e Cultura Indígena. Essas leis alteram a LDB (Lei de Diretrizes e Bases) e têm o objetivo de promover uma educação que reconhece e valoriza a diversidade, comprometida com as origens do povo brasileiro.

Com base nessas leis e acreditando que se pode fazer a diferença que pensamos o eixo gerador da proposta pedagógica de 2010: Contos e Lendas da Mãe África – quando o Mítico se encontra com o Real.

Um dos princípios que devem orientar os tema, os projetos e as atividades pedagógicas em relação à questão do negro na escola é a desconstrução do preconceito racial e a reafirmação de uma auto-estima positiva da população negra e mestiça. Ensinar e aprender sobre e na diversidade, propor situações de aprendizagem que sejam desafiadoras e que tragam novos conhecimentos são cuidados que se deve ter quando o que se estuda vem carregado de imagens e crenças baseadas no preconceito e na discriminação. A construção da identidade da criança e do jovem precisa do apoio de imagens confirmadoras positivas. A escola pode ser um lugar facilitador desse encontro com imagens e referências identitárias positivas para as crianças e jovens negros. Portanto o Projeto ‘Agosto Cultural’ envolveu diversas atividades que seguiram a proposta do eixo gerador. Dentre as atividades realizadas incluímos o Projeto Ciranda de Livros, desenvolveram-se atividades variadas com 03 livros em especial: As Tranças de Bintou, Só um minutinho e Epê Laiyê. Esses três livros abordam temas da cultura africana e afro-brasileira.

O Projeto “Agosto Cultural” culminou com a Feira do Livro com a releitura do livro Epê Layê, da nossa querida e muito respeitada escritora Mãe Stella de Azevedo, a literatura de cordel e a construção do livro com o tema “Era uma vez um mundo”, feita através de desenhos, pinturas e pequenos textos.

Além dessas atividades já citadas, foram construídas pulseiras africanas, objetos de artesanato africano, desenhos da fauna e flora africanas em nosso Corredor Pedagógico e muito mais.

No dia 02 de setembro de 2010 concluímos as atividades do Projeto “Agosto Cultural” com a I Feira do Livro – uma das ações do projeto.

Durante esse evento, expomos as atividades realizadas em sala de aula, com as nossas crianças, tais como: a reescrita do livro Epê Layê, os diferentes registros e reescrita dos livros “Só um Minutinho” e “As Tranças de Bintou”, os objetos africanos construídos em sala, apresentação de cordel e exposição dos mesmos, dramatização – pelos professores – de “Só um Minutinho”.

Os stands ficaram bem ornamentados, com cores vivas e bastante alegres; as cores africanas predominaram deixando o espaço rico e em harmonia com os nossos objetivos; o artesanato africano somou para a riqueza visual e, para abrilhantar ainda mais esse evento, contamos com a presença ilustre de Maria Stella de Azevedo Santos, mais conhecida como “Mãe Stella”, do Terreiro Ilê Axé Opô Afonjá, autora/escritora do livro “Epê Layê”, que aborda o tema da responsabilidade de cada um de nós perante o meio ambiente e as nossas ações em construção de um mundo melhor.

Mãe Stella ficou encantada ao ouvir a história de Epê Layê, através de nossa professora, segundo ela, essa atividade ainda não havia acontecido e foi muito boa essa ação, pois dessa forma ela pode ver o livro de outra forma, com um novo olhar.

Com a serenidade que lhe é peculiar e a sabedoria acumulada, elogiou o evento deixando uma frase que muito nos serviu de ensinamento e motivação “... nem tudo está perdido”!
Mais uma vez nossas crianças e colaboradores brilharam com a sua rica participação. Obrigada a todos!

Agora já estamos planejando a nossa “Feira de Ciências”!

Vamos em frente!!!!!!

 
 
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