O Fisioterapeuta tem como algumas de suas habilidades específicas,
contribuir para a manutenção da saúde,
bem-estar e qualidade de vida das pessoas, famílias e
comunidades e, exercer a profissão de forma articulada
ao contexto social, interpretando-a como uma forma de participação
e contribuição social.
O profissional integrante do Programa de Habilitação,
Reabilitação e Inclusão do NACPC possui
olhar voltado à atenção biopsicossocial
à saúde, atuando em caráter preventivo
e reabilitativo, buscando identificar as capacidades da criança,
o impacto sobre sua vida social e qualidade de vida, desenvolvendo
um plano de intervenção centrado na criança
e sua família.
A Classificação Internacional de Funcionalidade,
Incapacidade e Saúde – CIF, é uma ferramenta
presente no contexto fisioterapêutico do NACPC. Esta classificação
tem abordagem baseada na atenção biopsicossocial
à saúde, onde os componentes corporais e sociais
de saúde são unidos, sendo que cada um age e sofre
ação do outro, sendo todos influenciados pelos
fatores sociais.
Neste contexto, a avaliação cinético-funcional
busca correlacionar as disfunções de movimento
específicas de cada criança, às suas limitações
em atividades de vida diária e principalmente o seu impacto
na participação social (escola e lazer), preconizando
potencializar e desenvolver habilidades.
Isto ocorre a partir de atendimentos individualizados que acontecem
no Laboratório do Movimento, na piscina terapêutica,
na Escola Transitória, nos Atendimentos Educacionais
Especializados, na Informática e em ambiente social externo.
As sessões no laboratório do movimento e na piscina
terapêutica visam desenvolver componentes físicos
e funcionais do movimento, como força muscular, amplitude
de movimento, flexibilidade, controle postural, transferências
e marcha.
A atuação interdisciplinar faz parte das rotinas
de atendimento e ocorrem entre os profissionais de fisioterapia,
terapia ocupacional, fonoaudiologia, neuropediatria, psiquiatria,
psicologia e educação, atuando em seus respectivos
objetivos específicos em prol de um ponto comum para
melhora da qualidade de vida da criança. A interdisciplinaridade
transpõe o ambiente físico terapêutico baseado
no princípio da integralidade das ações
entre as equipes de saúde, educação e família.
Em ambiente externo, através da socialização,
busca-se atingir o desempenho das atividades, trabalhando em
ambiente real, não estruturado como parques, praia, cinema,
teatro.
No contexto escolar busca-se a adequação postural,
através de adaptação do mobiliário
e orientações aos professores, facilitando o processo
de ensino-aprendizagem e a participação da criança
nas atividades. Além disso, alguns posicionamentos podem
ser estímulo para certas aquisições motoras.
A orientação aos professores vai além do
aspecto postural.
O fisioterapeuta presta esclarecimento, soluciona dúvidas
e orienta sobre os limites e possibilidades da criança,
assim como sobre suas habilidades que podem e devem estar sendo
utilizadas e potencializadas no ambiente escolar. É válido
ressaltar que esta relação professor–fisioterapeuta
percorre um caminho de mão dupla, já que o professor
também orienta o fisioterapeuta frente as potencialidades
pedagógicas do aluno e capacidades psicomotoras observadas
em sala de aula, contribuindo assim para a construção
de uma visão global e mais lúcida sobre os aspectos
físico-funcionais destes meninos e meninas atendidos
no NACPC.
Esta atitude interdisciplinar estende-se para outras especialidades
existentes no NACPC, como a fonoaudiologia, a terapia ocupacional,
a psiquiatria, a neuropediatria, a psicologia, a música,
a capoeira, a informática e a educação
física.
A família tem papel indispensável no processo
de reabilitação e inclusão da criança,
pois esta é parte do seu contexto ambiental, o ponto-chave
na facilitação para sua qualidade de vida. Cotidianamente
é estabelecida e desenvolvida relação entre
terapeuta e cuidador, através de orientações
e informações referentes à criança,
além de todo programa específico realizado pelo
núcleo familiar NACPC.
Assim, os focos da atuação no NACPC são
a prevenção, a habilitação/reabilitação
e a promoção de saúde. Concentra-se na
busca de potencialidades individuais das crianças, transcendendo
o pensamento para além dos impactos limitantes e pré-conceituosos
que existem sobre a deficiência, nivelando em um mesmo
patamar a promoção funcional das atividades que
elas realizam e facilitando a sua participação
em todos os aspectos da vida.